segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Irrealidades

Estava totalmente desnorteada. Aquela velha operação no joelho não doia mais. Cada toque não era mais toque. Até o amor que sentia pelo próprio filho soava sem sentido. Todo ódio que devastava seu peito foi desintegrado. Viu-se entrevando e vomitou como se ejaculasse irrealidades que preenchiam seu corpo.

O felino

O gato a encarava, por dois segundos a mulher o odiou. Sua pele lambida e seus olhos severos a culpavam, penosamente a culpavam, matando cada vontade sua de viver.

A velha

A velha barulhenta e porca, morta atrás da porta. Porca, barulhenta e felizmente morta. Desgraçada orca! Deixem-a atrás a porta.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A fuga de uma diva

Ela acordou, as pílulas no criado-mudo a tentavam. Queria fugir, com todos atrás dela não poderia. As pontadas da solidão irritavam seu estômago. Seus olhos cuspiam. Pegou as pílulas e no auge de todo seu glamuour engoliu os remédios.

O Lago

O lago me chama, a exatidão profunda das aguas castanhas e das folhas mortas. Hoje, minhas mãos tremem quase tirando meu dom de escrever. Ele me amará o bastante para me deixar morrer? Sou como a mulher que escreve versos presa na casa, mas estou aprisionada em meu proprio corpo. Talvez somente a agua inundando todo meu ser me liberte de mim mesma. Nunca mais poderei respirar dentro do lago.
Robos não pensam
Se pensam
Igual

Robos não cantam
Se cantam
Igual

Robos não amam
Se amam
Não

Mesmo ritmo
Mesmo objetivo
Soldados
Matando. Perfura a mente, a raiva. Ela mata, matará, matou o homem. Não tinha porquê mata-lo, mas matando, enfiou, enfia uma faca, uma arma. Arregaçou seu peito enfiando o revolver na boca. Foi lindo, é lindo, será lindo, quando contada a historia aos vizinhos.

domingo, 8 de novembro de 2009

São só as horas que me matam, ou se não os dias. Não há saída para essa pena, ainda assim é essa fuga que anseio, que desesperadamente anseio. A vida rodando na TV ou nos mais clichês filmes hollywoodianos, onde tudo se encaixa, onde os medos e as existencias são todos puros e compreensiveis, é o que desejo, um mundo plano! Sem abismos! Mas alguem, infeliz desse alguem, infeliz desse algo, ordenou que tudo tivesse a forma de esfera, que tudo estivesse na terceira e maldita dimensão. A Terra é esferica, a Terra é redonda! Redonda! Os planetas, o universo e assim o tempo, e assim meu rosto, meu corpo, minha dor, meus olhos, meu toque e minha repiração. E onde encontro a face que não vejo? A outra face de tudo, a face esclarecedora e sã. E quem me garante que ela existe? Que ela confortadora, existe.